O meu desejo tornou-se maior, enorme. Havia sempre alguma maneira de fazer morrer. continuei a subir uma escada de muitos tempos. cada vez que subia uma teria de voltar a descer duas. afigurava-se que permanecia quase sempre no mesmo sítio (tempo). e nessa altura, nesse sitio, e nesse minuto e nove, eu fui ao céu, peguei num pincel gigante e levei todas as cores comigo, cada uma transmitia mais alegria que a outra.
no dia anterior do meu maior sonho, tudo acabaria num minuto e nove como iniciou. quando me apercebi do que se passara, tudo imobilizara constava-me que não passaria de pesadelo ou de um mero pensamento meu. todavia, fazia tudo parte da realidade.
posteriormente a tudo morrer, teria de começar de novo. a minha escada não chegava ao fim, por mais que a luta fosse grande, magnifica, extensa ou duradoura.
hoje a minha escalada de tempos não chega ao andar onde eu sempre quis. continuo a subir e a descer, sem expectativa do meu andar. contudo com a esperança de subir sem descer ...


sábado, 28 de agosto de 2010

perda.


Imagina o pôr do sol sobre o mar num final de dia de Outono. Um pôr do sol que enche o céu sobre o oceano de tons de vermelhos e de cor-de-laranja, como se a própria mão de Deus estives a decorar o horizonte com aguarelas maravilhosas, iluminado as nuvens com esse espectáculo de cores. Imagina. Imagina que olhando para o lado oposto do céu encontras um azul celeste que luta com os vermelhos outonais tentando arranjar espaço para a lua no céu nocturno que agora toma o lugar do velho sol. Imagina. Imagina que as poucas nuvens que pouco tempo antes vagueavam no distante horizonte e que agora estão estacionadas sobre nós e que começam a libertar milhares de pequenas gotas de chuva como lágrimas. Essas gotas chegam a superfície terrestre com tanta ternura que parecem milhares de beijos que o céu dá á terra em forma de homenagem por todo o sacrifício que o planeta faz para manter os seus habitantes seguros. Esses beijos estão tão carregados de sentimentos que os anjos deixaram escapar o seu toque sobre qualquer ser vivo que deixa uma marca profunda e purificadora e que liberta a alma de todas as feridas acumuladas com o tempo. Imagina. Imagina que depois dessa chuva purificadora as nuvens separaram-se para dar lugar novamente as estrelas que depois de tudo estão com uma nova força e um brilho muito mais intenso, iluminando todo o céu nocturno com a sua beleza, com o brilho de diamantes no fundo de um lago perdido. Imagina. Imagina. Estás a imaginar? Imagina isto tudo, que eu agora pergunto se sabes porque motivo os anjos choram, sabes? Os anjos choram porque esta noite descobriam que o seu “anjinho” mais precioso desceu a terra e que foi encontrado por mim. E choram porque sabem que eu não vou desistir dele sem primeiro lutar com toda a força que me corre nas veias e na alma porque aquele “anjinho” transformou-se numa pessoa muito importante para mim, sem a qual as coisas deixam de fazer sentido. E isso para eles é uma perda terrível, e é por isso eles choram.

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